Celso Portiolli se tornou alvo de críticas de defensores da extrema-direita após o último “Domingo Legal”. O apresentador, dono de imóvel milionário no Rio Grande do Sul, ironizou uma antiga declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece preso por tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Tudo aconteceu durante o quadro “Passa ou Repassa”. O apresentador perguntou o que era herpetologia, a ciência que estuda répteis e anfíbios. A atriz Bianca Rinaldi afirmou que tinha um amigo especialista na área. Celso, então, brincou: “Quem tomou vacina e virou jacaré vai tratar com o amigo dela lá”.
A declaração deixou os bolsonaristas revoltados, como mostram comentários extraídos do perfil do portal Metrópoles no X, antigo Twitter. “Dinheiro na mão, calcinha no chão, não é mesmo, Celso Portiolli?”, disparou um usuário. “Prostituíram a emissora do Silvio Santos mesmo”, atacou outro internauta, em referência à polêmica fala de Zezé Di Camargo. “Outro petista vagabundo”, escreveu mais uma pessoa.
Celso nunca deu indícios de ser “petista” - muito pelo contrário. Em 2018, o apresentador apoiou publicamente o recém-eleito presidente. Atualmente, ele não segue Bolsonaro ou qualquer membro da família no Instagram, mas segue Nikollas Ferreira, o que deixa explícita a simpatia por políticos da extrema-direita.
Em 2020, a empresa farmacêutica estadunidense Pfizer enviou propostas formais ao Ministério da Saúde para oferecer milhões de doses de uma vacina recém-criada contra a COVID-19, com entregas previstas ainda para o fim daquele ano.
Pressionado pela população e cético sobre a eficácia da vacina, Bolsonaro deu a infame declaração. “[No contrato] tem lá: 'Nós não nos responsabilizamos'. Se você virar um jacaré, é problema seu. Se virar um super-homem, mulher com barba ou homem falar fino. O pior: isso mexe no sistema imunológico das pessoas”, alegou o ex-presidente, em dezembro de 2020.
Só em 2020, 194.949 pessoas morreram vítimas da COVID-19. Em maio de 2021, durante a CPI da Pandemia, o representante da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou que o Governo Federal recebeu uma oferta em agosto de 2020, mas deixou a farmacêutica sem resposta. Seriam 1,5 milhão de doses entregues até o final daquele ano. “Nossa oferta de 26 de agosto tinha uma validade de 15 dias. Passados os 15 dias, o governo brasileiro não rejeitou, tampouco aceitou a oferta”, declarou o presidente regional da empresa.